ÚLTIMAS

6/recent/ticker-posts

Coluna Futebol e Saúde: "Falar de touros não é a mesma coisa que estar na arena."



Esse provérbio fala da paixão dos espanhóis pelas touradas e diz muito quando analisamos PAIXÃO X REALIDADE, principalmente quando o relacionamos com o futebol. O brasileiro é um povo apaixonado por esse esporte, está  impregnado na nossa cultura.

Para muitos torcedores o futebol dita sua vida, a paixão pelo clube do coração, o empenho para acompanha-lo, o prazer pelas suas conquistas e até mesmo as provocações contra os “rivais esportivos” fazem parte desse universo e da paixão.

Ela é responsável também por formar os profissionais que atuarão no futebol, através dela se dedicam, buscam o conhecimento para aplica-lo no esporte. Todo o profissional do esporte é um apaixonado, muitos ainda por seus clubes do coração, mas outros transformam essa paixão no prazer de desenvolver o seu trabalho nessa área.

É ai que entra este provérbio muito pertinente, o futebol é algo muito profundo e o jogo é a parte mais superficial e muitos definem caráter, competência, conhecimento apenas pelo que assistem no jogo. Definem esse ou aquele jogador como a solução de um problema que talvez nem conheçam.

No futebol se treina muito e de várias formas justamente para ter um maior conhecimento dos jogadores que a comissão tem disponível, como no xadrez as peças são diferentes individualmente, tecnicamente e coletivamente conforme conseguem executar as funções pensando na equipe.

Quantos jogadores de muita qualidade técnica não conseguem desempenhar as funções coletivas. Quantos jogadores mais limitados são fundamentais para a equipe pela sua aplicação tática, comprometimento e vontade. Temos também jogadores bons técnica e taticamente, porém com o emocional fragilizado.

No jogo e para a torcida, muitas vezes a solução é quem não está jogando. Mas tudo o que é usado no jogo foi testado na semana (ou deveria ser), sabemos que no jogo tem outras coisas que influenciam para o bem ou o mau desempenho. Mas como no xadrez cada jogador é uma peça importante, e existe o momento ideal de movimentá-la.

Sempre falo que num jogo de futebol com estádio cheio o não, teremos muitos treinadores. Porém apenas dois “burros”, os treinadores das duas equipes. Uma vez, depois de uma partida que assisti, e conversando informalmente sobre ela onde alguns questionavam o treinador, sugeri que todos os presentes escalassem a equipe ideal.  O resultado final foi que TODOS que fizeram, tinham equipes diferentes entre si, mas a culpa é sempre do treinador...

Durante a partida, as decisões devem e são tomadas em frações de segundos, não existe tempo. Os problemas se criam e precisam ser solucionados urgentemente com as peças que se tem, ou dentro de campo mesmo ou substituindo por alguém de fora.

Lidar com a emoção dos outros é muito complicado, você vai do céu ao inferno em questões de segundos, mas quem trabalha com o futebol profissional precisa estar preparado, trabalhar sobre pressão constante e mesmo nessas condições criar soluções lúcidas dentro e fora de campo. É difícil sim, mas se você trabalha com o que realmente ama essas dificuldades são minimizadas pela dedicação e entrega ao trabalho.

Então, como nas touradas onde os apaixonados sentam é assistem a batalha entre toureiro e touro, analisando tudo com um aprofundamento ilusório, pois não sabem o ambiente que é lá no solo enquanto o homem olha no olho do animal, um estudando o outro. Assim é na partida de futebol, nunca o ambiente do campo será completamente reproduzido na arquibancada.

E assim vamos seguindo, tento um enorme iceberg com a pontinha para fora do oceano que é a partida e trabalhando muito para esse momento, mas sabendo que a complexidade é gigante como o restante do iceberg que ficou submerso.

Abraço!!!!
* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC



Postar um comentário

0 Comentários