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Coluna Futebol e Saúde: Futebol Profissional - Lazer ou necessidade?


O futebol Nacional voltou, ainda em um momento de pandemia e de grande crise no esporte gerada por ela. No Rio Grande do Sul em 2020, disputou-se apenas a primeira divisão do futebol e neste ano segue semelhante, as outras divisões planejam voltar no segundo semestre na  esperança da pandemia estar superada e poder ter público nos estádios.

Corremos o sério risco de perder instituições esportivas tradicionais pela crise existente antes e potencializada com o Covid, clubes de futebol precisam estar em atividade para existirem, seu produto é a paixão da torcida e através desta que se conseguem os recursos para funcionarem.

Muitas competições voltaram em 2021, todas com mais dificuldades que o normal, mas a grande maioria com um esforço gigantesco dos clubes para estarem em atividade, com a crise os recursos são mais escassos e a falta de torcida nos estádios diminui muito a receita, mas o momento exige isso para a segurança de todos.

Muitos falam na parada do futebol no Brasil e utilizam  erroneamente o argumento de que o futebol é lazer e que não é essencial. Realmente para quem assiste é lazer, uma das formas culturais mais impregnadas no Brasil  e por isso pode ser considerado assim.

Mas futebol é profissão, quantos profissionais sustentam suas famílias com ele e que precisam trabalhar? Em 2020, muitos destes  ficaram praticamente o ano todo parados e corre o risco disso se repetir neste ano também.

Alguns pensam que os profissionais podem ficar parados pois ganham bem. Outra falta de informação enorme, em nosso país, menos de 5% dos profissionais ganham altos salários, a maioria absoluta recebem pouco e sem garantias de trabalhar o ano todo, os clubes pequenos e médios fazem os contratos com seus jogadores e comissão de acordo com as competições que disputarão (3-5 meses) geralmente, podendo disputar mais de uma no ano (o que hoje é artigo de luxo neste meio) e assim nos demais meses não recebem.

Então, em um ano (12 meses) você recebe um salário baixo durante 3-5 meses. O profissional de futebol no Brasil (tirando os clubes de 1ª e 2ª divisões do futebol profissional) trabalha o mês vendendo o almoço para pagar a janta. Ou seja, tem uma remuneração que o permite viver enquanto está em atividade e sem trabalho passa por dificuldades.

Mas será um absurdo manter o futebol em atividade nesta pandemia? Dentre todas as atividades econômicas, o futebol é uma das que mais seguem protocolos de prevenção da Covid. Estádios sem públicos, protocolos rígidos de treinamento, de jogos e deslocamentos.

A verdade é que a equipe de futebol é um grupo de jogadores e comissão que se preservam e mesmo estando juntos, trabalham num ambiente aberto e isolados de outras pessoas, seguindo os controles e critérios de proteção e prevenção.
Fazendo uma relação com os serviços essenciais como mercado, comércio, postos de combustíveis e afins. Quantos casos ocorreram nestes locais, quantos testes de covid os funcionários realizaram no mês? Realmente fazem o controle básico (temperatura corporal entre outros)?

No futebol, praticamente toda a semana os profissionais  são testados para Covid, seguem todos os meios protetivos e preventivos previstos. Aqui no clube, desde o começo dos trabalhos não ocorreu casos de covid e esses resultados se dão pelo  grande cuidado e controle que são feitos, além de ser um grupo de pessoas que trabalham isolados, não tendo grande rotatividade de pessoas de fora circulando neste meio.

Isso não significa que não ocorrem, em outros clubes, ou não ocorrerá aqui, mas demonstra que cuidados rigorosos fazem que a incidência de infecção seja menor que no geral. Todos sabem de suas responsabilidades e uns devem cuidar dos outros com medidas protetivas e preventivas.

Assim o futebol é lazer para quem assiste, mas nunca para quem trabalha e vive dele. É uma  das atividades profissionais mais controladas contra o Covid, movimenta uma série de outros profissionais e estes não precisam estar em contato com a equipe (imprensa, staff...), além de levar paixão e prazer para milhares de pessoas neste momento complicado que estamos passando.

Abraço!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC



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