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Coluna Futebol e Saúde: "A pressão da prática esportiva na iniciação"

Foto: Escolinha do Criciúma EC

A prática de uma atividade esportiva principalmente por crianças e jovens na iniciação gera pressão, tensão, insegurança principalmente em seu início.  Faz parte do processo, quanto mais praticarem mais adaptados e familiarizados com essa situação estarão. Nessa questão, a competição entra como uma forma de aumento dessa pressão gerada.

A competição potencializa essa pressão, uma pela própria competição em si, mas também por um adversário que não é do convívio com os colegas de treinamento, maior público assistindo, expectativas de desempenho, resultado individual e alguns fatores que atrapalham quando mal direcionados como a influencia de treinadores e pais.

Mas essa pressão é muito saudável e instrutiva quando bem desenvolvida e tendo essas crianças e jovens uma base de apoio importante (principalmente de treinadores e familiares). As vivências práticas e os encorajamentos fazem com que essa pressão que no inicio é prejudicial para alguns, pois afeta o rendimento deles, torna-se algo normal e faz com que tenham uma maior atenção e concentração durante a prática esportiva (competição ou treinamento).

O esporte desenvolve problemas e dificuldades para seus praticantes a todo instante, e quanto mais praticarem melhores  serão na resolução destes, qual atitude tomar em determinada situação e a cada minuto estás situações ocorrem de formas diferentes, forçando eles a analisar a todo o momento de que forma proceder.

Isto é fundamental no esporte praticado e muito importante no desenvolvimento destas crianças e jovens. Durante toda vida precisarão lidar com conflitos, problemas, necessidades e de alguma forma o esporte também auxilia nesse quesito. O jovem jogador de futebol, por exemplo, é pressionado á todo instante para marcar, atacar, ajudar o companheiro, defender, fazer gol...

Agora, a pressão com a prática esportiva é extremamente prejudicial em alguns casos como de treinadores que geram mais tensão e pressão sobre seus alunos, pois acreditam que os bons resultados são a mola que vai impulsionar a carreira e projeção deles. Infelizmente, isso ocorre bastante e muitas vezes é um fator de exclusão dos alunos.

Outro fator, também muito comum, são pais que projetam nos filhos o desenvolvimento esportivo que eles sonhavam atingir, pressionam nos campos e em casa para melhorar o desempenho, queimam etapas, aceleram processos, colocam os filhos para praticar um esporte coletivo, mas exigem que as crianças tomem atitudes mais individualistas para se sobressaírem aos colegas, forçam ações  que os jovens não estão prontos física e psicologicamente para executarem.

O futebol como qualquer outro esporte competitivo e quanto mais próximo ao profissional fica mais exigente, seletivo e até excludente. Deixam de ser algo que promove a saúde para ser uma completa busca de resultados. Nesse nível, nem todos conseguem lidar com as pressões impostas. Agora imagina uma criança ou jovem iniciando num esporte e tendo uma pressão exacerbada já nesse início.

Muitos grandes potenciais abandonam o esporte cedo em função disso, alguns dos que encontrei na iniciação hoje abandonaram o esporte competitivo ou nem chegaram neste nível, muitos deles pela pressão e frustração causados no decorrer dos anos.

A pressão esportiva deve ir aumentando e sendo trabalhada conforme o desenvolvimento destes alunos no passar dos anos, quanto mais se desenvolvem e evoluem mais preparados e capacitados estarão para lidar com as dificuldades maiores.  Os estímulos positivos e negativos marcam muito as crianças e às vezes elas levam isso para a vida toda, ajudando ou prejudicando na formação futura.

Se alguém pensa em usar a prática esportiva para transformar seu filho num melhor e mais preparado cidadão está no caminho certo. Se pensam em colocar uma criança de pouca idade e lá na frente ter um astro esportivo em casa também poderão estar no caminho certo, desde que deixe ele se desenvolver harmoniosamente e no seu tempo, sem comparação com outros da idade, sem pressão e exigências para torna-lo um astro. Se ele será ou não só o tempo irá dizer, mas se acelerarem o processo não respeitando a criança e seu desenvolvimento eu já posso responder hoje.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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