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Coluna Futebol e Saúde: "Treinador de iniciação: qual o foco?"


Hoje abordarei alguns aspectos dos profissionais responsáveis (ou não), por desenvolver nossos jovens (crianças e jovens) que buscam a prática de uma atividade física rotineira. A base para este trabalho está relacionada muito mais a faixa etária trabalhada do que o esporte propriamente dito e de como este trabalho é realizado durante anos em que estes grupos estão em desenvolvimento constante. 

Antes de aprofundar o assunto, quero fazer uma diferenciação importante para o entendimento que é TREINADOR DE CATEGORIAS PROFISSIONAIS, (esse precisa conhecer os aspectos que envolvem o esporte trabalhado, mas, além disso, precisa ser um gestor de trabalho,  de grupos e tirar o máximo destes, pois  alto rendimento exige isso), enquanto que TREINADOR DE INICIAÇÃO E DE BASE, (precisa conhecer o esporte em questão, mas principalmente conhecer o desenvolvimento psicomotor da faixa etária e sexo que está trabalhando, sua função é desenvolver esse aluno usando a atividade esportiva e não o contrário, o esporte é a ferramenta para esse desenvolvimento).

Muitas culturas utilizam profissionais experientes para desenvolver a iniciação e todo o período de desenvolvimento motor das crianças e jovens. Porém, em muitos locais as categorias de iniciação e base são as portas de entrada para profissionais que querem trabalhar com o esporte, isto não é errado se estes profissionais estiverem preparados para trabalharem nestas faixas etárias e focarem mais no desenvolvimento dos alunos que nos resultados. Porém, muitas vezes ocorre destes profissionais utilizam esta oportunidade para entrar no esporte, mas seu foco não é nestas idades, e sim em atingir em algum momento o profissional e trabalhar como se estivesse lá.

Aí está o grande problema, o de querer estar numa categoria superior e criar seus treinos como se estivesse nela e isso é prejudicial para a faixa etária trabalhada. O desenvolvimento motor é semelhante ao ingresso de crianças nas séries escolares iniciais. Vão trabalhando a coordenação com os lápis (desenhar e pintar), conhecendo as letras, formando palavras, começando a ler e assim vão desenvolvendo o conhecimento e  o raciocínio.

Não é possível pensar numa criança chegar à escola e ler sem aprender as letras antes, porque que no esporte isso às vezes acontece e para muitos é normal?

Existem estágios ou fases sensíveis de desenvolvimento, forçar ações antes de estas estarem desenvolvidas pode ser nulas e prejudiciais. São essas fases que devem direcionar o treinamento destes jovens, ai esta o momento de desenvolver o corpo dos jovens em suas potencialidades, se você perder estes momentos ideais de trabalhar eles não voltarão futuramente.

Outra coisa importante, o desenvolvimento não ocorre de forma homogênea e é muito individual, ocorre de formas diferentes conforme o sexo e até mesmo pela cultura local, e mais ainda, dentro da mesma faixa etária. Quantas vezes vimos numa equipe de crianças uma sendo bem pequena e outras com corpo bem mais desenvolvido.

Isso porque todos nós passamos por 5 estágios de desenvolvimento, e é possível numa mesma idade ter alguém com estágio 2 e outro com estágio 5. Só por aí já podemos definir que o treinamento não pode ser igual para ambos, pois para alguns pode ser muito forte enquanto outros serão os estímulos completamente débeis.

Por algumas informações citadas, podemos definir que com crianças e jovens o treino é muito maior do que apenas treinar, precisa ser organizado, planejado, estruturado e bem desenvolvido para gerar um desenvolvimento harmonioso e completo.

Portanto,  um bom profissional de iniciação e base precisa conhecer o esporte em questão e usá-lo para desenvolver os alunos de forma geral não apenas específica ao esporte, ter conhecimento do desenvolvimento psicomotor da faixa etária que está trabalhando e saber que para um bom desenvolvimento motor precisamos trabalhar os estímulos numa faixa que oscile entre o abaixo do extremo (sobrecarga maior que o suportado, gera dor e desconforto, não trabalha o que se precisa estimular, pode gerar o afastamento pela sobrecarga e lesões) e os débeis (não geram motivação, não são atrativos e não são desafiadores para os alunos).

Finalizando, crianças e jovens não são miniatura de adultos, portanto reproduzir esses treinos com volumes menores não resolvem o problema e são prejudiciais. O profissional não deve desenvolver o aluno para ser campeão num ano, mas sim desenvolvê-lo de forma saudável para a vida toda.

Grande abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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