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Coluna Futebol e Saúde: "Treinamento de crianças com dificuldade de aprendizagem."

Foto de RUN 4 FFWPU no Pexels

O esporte é um instrumento de socialização, ferramenta importante para o desenvolvimento de crianças e jovens não apenas nos critérios físicos e psicológicos, mas também em aspectos sociais, praticar esporte, para as crianças, é viver numa pequena sociedade.

Mas sabemos que o desenvolvimento psicomotor não ocorre de forma igual para todos, na mesma idade temos crianças com desenvolvimentos completamente diferentes, alguns quase adultos e outros ainda crianças. A maturação é um processo muito individual.

Para agravar essas diferenças, temos também crianças com dificuldades de aprendizado,  as tarefas mais simples são difíceis de executar, mesmo com um programa organizado e treinamentos adequados.

Então, as diferenças que ocorrem pela maturação diferente, e ainda, tendo crianças com alguma dificuldade de aprendizado, podem trazer problemas para estes menos desenvolvidos, não apenas nas questões do treino (não conseguir realizar as tarefas), mas também de relacionamento com os colegas (sentirem-se excluídos ou se excluírem do grupo).

Já presenciei casos onde o próprio professor excluía certas crianças por não darem as respostas que eles esperavam, é mais fácil trabalhar com quem assimila melhor. Mas como professor, acredito que quanto maior o desafio mais gratificante serão os resultados. 

Segundo Gaya, estudioso do treinamento com crianças: “Existem crianças que, mesmo com suas experiências motoras em jogos, brincadeiras do cotidiano e, até mesmo, com as atividades desenvolvidas nas aulas de educação física na escola, apresentam dificuldades quando solicitadas a executar tarefas motoras, aparentemente simples, tais como correr e saltar consecutivamente, saltar e arremessar simultaneamente, entre outras quando comparadas a crianças da mesma faixa etária. Quando inseridas no contexto de ensino do esporte, em função de seu comportamento atípico e desajeitado, essas crianças passam a ser consideradas como problemáticas. A necessidade da criança de explorar o ambiente defrontar-se com sua ‘realidade motora’ um tanto quanto atrapalhada, podendo torná-la frustrada e marginalizada pelos colegas. Os professores muitas vezes desconhecedores dos problemas decorrentes desse tipo de comportamento acabam permitindo atitudes de isolamento, desprezo e, algumas vezes, de deboche que, possivelmente, só servem para agravar ainda mais a situação”.

Não podemos afirmar que essas dificuldades ocorrem por algum transtorno ou deficiência em relação a outras crianças, algumas vezes são as faltas de estímulos anteriormente que resulta nesta deficiência. Sou de uma época onde vivíamos na rua, brincando, correndo, jogando, caindo de árvores... Atualmente é difícil tirar as crianças de casa para fazerem alguma atividade.

As atividades que realizávamos na rua preparavam o nosso corpo, tínhamos um vocabulário motor muito melhor (mais gestos e movimentos feitos com exatidão pelo corpo), atualmente vemos crianças que não sabem correr, isso é, com a coordenação necessária e gestos corretos.

Cada vez mais o que era feito naturalmente passa a ser dirigido, muitas crianças desenvolvem seu corpo nas aulas de educação física e em atividades direcionadas por profissionais da área,  como escolinhas esportivas ou academias.

Aí está à importância de um bom profissional de educação física no desenvolvimento das crianças e principalmente das que apresentam algumas dificuldades. Trabalhar com crianças bem desenvolvidas não precisa tanto conhecimento, elas evoluem naturalmente. Agora entender e trabalhar as dificuldades  necessita conhecimento científico e humano, assim, fazendo evoluir tanto as questões psicomotoras, como também as humanas e sociais, aproximando-as do convívio e não as excluindo.

O bom profissional sai da mesmice e aprimora seu conhecimento através das dificuldades encontradas, assim trazendo grandes resultados para seus alunos.

Abraço!!! 


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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