ÚLTIMAS

6/recent/ticker-posts

Coluna Futebol e Saúde: "Brasil o país do futebol, será?"


Somos um país continental e apaixonado por futebol, temos o Rei e uma quantidade enorme de “supercraques” com o passar dos anos. Vamos pensar, se temos uma grande população que ama e pratica o futebol, porque seleções de países menores fazem frente a nossa e muitas vezes somos superadas por estas?

Não tem um país da Europa que se assemelha em população, quantidade, faixa etária de crianças e jovens em idade de praticar esportes na iniciação e mesmo na formação esportiva como aqui. Aliás, estes países, a cada ano que passa, diminuem a população mais jovem e relação aos mais velhos, possuem taxas de natalidade menores que outros países e assim sua população vai envelhecendo.

Podemos falar que são mais evoluídos em investimentos, estruturas, organização entre outros. Isso é uma verdade, porém, não podemos pensar que isso é o maior diferencial. Temos mais material humano, mas o ponto-chave é que excluímos muito mais pessoas nesse processo, que esses países.

Bom, muitos acreditam que o talento do jogador brasileiro é um “Dom”, se eu não procuro entender o que é talento e como formar, essa é a explicação mais cômoda.  Mas se é um “Dom”, vamos trabalhar com milhares sabendo que apenas aqueles que foram abençoados chegarão ao estrelismo?

Muitos acreditam que é genético, não podemos concluir isso, porque quantos supercraques temos? Todos eles têm o mesmo biótipo ou mesmas características?  Óbvio que não, temos superatletas das características mais variadas, alguns ajudados pela genética, outros pelos estímulos durante a vida esportiva, pela incrível inteligência  e outros através de muita dedicação.

Aspectos que acredito como fatores de influência negativa para essa realidade referida é que, hoje temos menos praticantes e menos locais para a prática esportiva, a população jovem está mais sedentária e tem outras opções de atividades para competir com a prática do esporte,  além da grande crise que assolou os clubes de futebol e instituições que organizam as competições, muitos deles  hoje não possuem temporadas e sim campeonatos (jogam 3/4 meses por competição, às vezes é esse tempo de atividade no ano).

Sobre a formação, esse processo exclui muitos possíveis jogadores pelo imediatismo, ele seleciona os melhores no momento, às vezes por estarem mais desenvolvidos e maturados, excluindo outros que tem muito potencial, porém estão num nível de desenvolvimento menor. Com isso os clubes aumentam a rotatividade de jogadores nas equipes, liberando os menos desenvolvidos e trazendo jogadores mais maturados mesmo nas idades menores.

O que acontece é que muitos maturados atingem o máximo de suas capacidades cedo, e os que estão em desenvolvimento não tem possibilidade de melhorarem por estarem sem clube. Ou seja, perdemos alguns por não conseguirem melhorar e outros por não permitirmos que trabalhem e se aprimorem. Erramos ao não criar um ambiente propício para ambos os casos.

Então, o desenvolvimento do futebol passa por organização, planejamento das instituições e competições, mais e melhores competições possibilitam uma maior prática destes jogadores e os clubes organizados possibilitam um ambiente mais propício para desenvolver e formar jogadores, de uma forma justa e rentável.

Futebol não é como uma mina de ouro onde se procura, escava, coloca o resto fora e talvez, com sorte, encontre uma pepita valiosa.  Ele deve oportunizar, trabalhar para conseguir a maior quantidade de pepitas, sendo essas mais ou menos valiosas e nesse trabalho terá as mesmas chances de encontrar aquela bela pepita de ouro, mas se não encontrar sua riqueza estará no grande número de outras que encontrou no decorrer do processo.

Abraço!!! 

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

Postar um comentário

0 Comentários