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Coluna Futebol e Saúde: "Cultura e idolatria no futebol."


Como a cultura e idolatria podem interferir no trabalho da equipe.

Um fato que chamou muito a atenção no dia 14/06, numa coletiva de imprensa da UEFA EURO 2020 (ocorrendo em 2021), Cristiano Ronaldo senta para a entrevista e retira duas garrafas de Coca-Cola (patrocinador oficial da competição) e mostra uma garrafa de água. A questão é que a Coca-Cola é a patrocinadora oficial da competição e pagou valores altíssimos para aparecer. É bem capaz de agora, muitos fãs dele consumam mais água e menos refrigerante.

Esse fato não tem relação direta, mas me lembrou de quando fui trabalhar no Al Riyadh na Arábia Saudita. Trabalhar em Estados diferentes por aqui no Brasil já apresenta aspectos culturais importantes, diferentes e que devem ser analisados até mesmo para planejar o trabalho. 

Num outro país, com hábitos culturais e religiosos tão diferentes e que devem ser respeitados, torna-se mais complexo. Neste caso, nós fomos inseridos em outra cultura (riquíssima e diferente) e é fundamental conhece-la e nos permitir aprender com ela, sabendo sua essência poderemos entender como pensam e porque pensam assim. Não que, por estar lá tenho que mudar de religião, estilo de vida, mas conhece-la e respeita-la é importante, ainda mais quando a religião dita muitas das regras de convivência.

Bom, assumimos a equipe olímpica do clube no meio da competição onde uma comissão egípcia estava trabalhando, então já tinham um método de trabalho definido. Trabalhavam de uma forma muito semelhante aos treinamentos utilizados há alguns anos atrás, bem menos específicos ao futebol.

Culturalmente o clube seguia muito esta linha de futebol (outras comissões do clube), uma forma que os egípcios e tunisianos que trabalhavam por lá aplicavam bastante. Então para planejar o trabalho foi necessário fazer a leitura do que era feito e os resultados obtidos com isso. Utilizar o que era importante e aplicar o trabalho para potencializar o modelo de jogo do treinador, pois as exigências mudaram muito.

Uma mudança drástica metodologicamente, bem aceita pelos jogadores, mas vista com desconfiança por parte da direção, até porque a realidade que tinham vivenciado era diferente do que estavam acompanhando no momento. Alguns questionamentos apareceram, principalmente sobre os poucos coletivos e a falta de treinamentos de corrida contínua na semana. Não que seja certo ou errado, mas no momento em que estávamos não agregaria ao trabalho.

Muitas e muitas conversas para debater métodos foram feitas, mas sempre com algumas dúvidas. Então fiz um relatório sobre a metodologia que eu aplicava. Tudo o que já fora comentado e no final coloquei fotos de grandes equipes da época, bem com alguns grandes jogadores também realizando estes trabalhos (Real Madrid, Barcelona, Bayer, Messi, Crsitiano Ronaldo, Neymar).

A partir dai, o trabalho passou a ser muito elogiado e as formas que eram tão cobradas foram esquecidas, não pela metodologia aplicada e descrita, mas pelas fotos  colocadas, até porque tudo do relatório já tinha sido debatido.

As questões culturais muitas vezes são raízes fortes de se superar, você não pode romper de qualquer forma, o caminho não foi debater cientificamente, até porque não tinham a visão científica e sim as vivencias práticas. Então, mexer com a idolatria aos grandes clubes e jogadores pareceu ser a melhor direção. Se for bom para os “grandes” seria bom para nós também. Neste trabalho fomos campeões regionais invictos na temporada, título semelhante aos nossos estaduais.

Por isso, quando e se tiver a possibilidade de conhecer outras culturas, vá disposto a aprender com elas e assim você conseguirá usa-las para atingir seus objetivos e crescerá muito enquanto pessoa.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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