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Coluna Futebol e Saúde: "Late Birthday Project (LBD), uma proposta de trabalho para escolinhas de futebol"

Crianças no Late Birthday Project, na Inglaterra

Vi uma postagem sobre escolas de futebol que me chamou a atenção. Ela falava de uma academia de futebol no Reino Unido criada para oportunizar o esporte de uma forma mais justa para crianças e jovens nascidos no final do ano letivo (2º semestre), denominado LATE BIRTHDAY PROJECT (LBD), ou Projeto do Aniversário Tardio. Por lá esse período é de janeiro à agosto e no Brasil de junho à dezembro.

Esse projeto procura definir as categorias baseadas nas datas de nascimento mais tardias, nascidos de junho a dezembro por aqui. Os alunos nascidos no primeiro semestre participaram das turmas com nascimento no segundo semestre do ano anterior. No Brasil esta divisão se dá pelo ano de nascimento independente do mês de nascimento. Mas para nossa realidade acho que é possível dividir  uma categoria pelo semestre do nascimento para questões de treinamento, mesmo que em competições todos venham a jogar juntos. 

Sempre é bom salientar que o processo de desenvolvimento e maturação é muito individual, temos 5 estágios maturacionais onde o corpo da criança passa por todos, mas não no mesmo momento.

Também é importante falar que nesse processo temos as “fases sensíveis”, ou seja, períodos desse desenvolvimento onde os estímulos aplicados terão uma resposta (resultado) ótima. E que se elas não forem estimuladas nestes momentos, talvez não se consiga potencializá-las com mesmo efeito futuramente.

Um exemplo disso seria o andar de bicicleta, para uma criança aprender a andar é algo normal, já se uma pessoa aprender em idade adulta certamente demorará muito mais tempo para conseguir e talvez sem a mesma desenvoltura. E uma vez aprendido, mesmo decorrendo muitos anos essa pessoa vai conseguir andar tranquilamente.

Isso exemplifica porque crianças em mesma idade podem ter tantas diferenças entre elas e, além disso, em algumas idades o nascer em janeiro ou dezembro faz muita diferença nesta evolução, assim, na escolinha de futebol e numa categoria com alunos de mesma idade poderá ocorrer muita diferença entre os mais e menos maturados ou  velhos. 

Mas nem por isso poderíamos deixar de levar essa diferença de idade no treinamento diário. Imagine uma criança com corpo de adolescente disputando contra uma criança com corpo de criança e ambas de mesma idade. É algo injusto, pois o menos maturado no momento terá menos possibilidades de atuar, participar dos trabalhos e realizará menos ações nos treinos e jogos.

Então essa proposta me parece algo interessante, seleciona melhor as crianças conforme seu desenvolvimento. Ela possibilita que os mais e os menos desenvolvidos disputem nos seus grupos. Assim os mais novos de treinar e evoluir melhor por disputarem com seus semelhantes, resultando em mais estímulos num momento sensível. O mais maturado também vai evoluir, porque não vai usar apenas o corpo nas disputas com os mais fracos e sim trabalhar recursos para superar os iguais, que exige muito mais suas capacidades individuais.

Neste formato precisariam repensar as competições principais e criar competições específicas nestes moldes, mesmo que não as de caráter mais oficiais. E mesmo que não seja possível o mais importante seria então dividir a categoria em dois grupos pelo semestre do nascimento e assim realizar um trabalho mais justo com idades mais homogêneas, pelo menos em alguns treinos semanas já que a competição vai englobar todos da mesma idade.

Essa forma não se adapta a todas as instituições, os clubes de futebol selecionam os melhores para suas categorias pensando nas categorias superiores e futuros negócios, as escolinhas de participação são para possibilitar as práticas de um esporte sem exclusão. Mas instituições de formação servem para potencializar todos, os mais e menos desenvolvidos, e não dando mais oportunidades para os melhores no momento e excluindo os demais, talvez sejam esses excluídos que terão as capacidades de se tornarem bons profissionais no esporte, sem bem treinados no processo.

Se isso é viável ou não, depende de como interpretar e aplicar, mas é um grande assunto para novos questionamentos.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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