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Coluna Futebol e Saúde: "Dadá Maravilha e Associação Esportiva Pedro Leopoldo - MG"

Dario, o Dadá Maravilha, foi campeão da Copa do Mundo de 1970 com a Seleção

Organizando meus arquivos, encontrei um áudio que fiz em 2011 com o grande Dadá Maravilha (um dos maiores artilheiros do Brasil, grande ídolo do Internacional, Atlético Mineiro e muitos outros clubes, jogador da seleção de 1970).

Então, venho aqui hoje descrever esse momento de nosso encontro. Foi no ano de 2011, onde em uma parceira entre o Lajeadense-RS e a A. E. Pedro Leopoldo-MG, montamos uma equipe dois meses antes da TAÇA BH DE FUTEBOL JUNIOR para disputá-la. 

Certamente éramos o azarão da competição, no grupo definido como “grupo da morte”, onde classificavam duas equipes (Cruzeiro –MG, Flamengo –RJ, São Paulo-SP, Vila Nova -MG, Siderúrgica –MG e AEPL-MG), um dos três grandes do Brasil ficariam de fora, isso era o esperado pelos comentaristas. Fizemos uma grande primeira fase e nos classificamos em segundo (sendo o Cruzeiro líder do grupo) em um confronto direto com o Flamengo, onde vencemos por 1x0.

Antes da história, não posso deixar de falar de outro “monstro do futebol”, um dos responsáveis pelo projeto AEPL, meu amigo, mestre e inspiração na forma de lidar com as pessoas, Dirceu Lopes. “O príncipe Dirceu”, ídolo do Cruzeiro, único jogador a fazer três gols na final de campeonato Brasileiro (sobre o Santos de Pelé). Convivíamos quase que diariamente e ele é um grande exemplo de pessoa, atleta e amigo.

Voltamos para a nossa história, pegamos o Guarani de Campinas- SP, forte escola de formação de atletas e equipe de destaque nas competições de Base. Estávamos treinando em um campo próximo ao sítio onde concentrávamos, estava perto do final e fomos trabalhar os pênaltis que eram o critério de desempate.

Em um determinado momento vi três homens no canto do campo conversando, logo pensei em analistas do adversário e fui ao encontro deles. Chegando próximo, já notei um senhor conversando alto e reconheci o Dadá.  Fui conversar com ele, que me disse que iria visitar amigos e viu o treino, resolveu parar e assistir.

Mas a primeira coisa que me falou naquele dia foi “professor, eu duvido ter algum jogador ou comissão de um Estado onde Dadá não é Rei”. Respondi, “certamente apostaria em ti, pois sou gaúcho e conheço a sua história.”

No final do treino, todos os jogadores se aproximaram, ele “benzeu” os atacantes (risadas) e a conversa boa foi se arrastando. Convidei-o então para ir até o sítio e continuarmos a conversa, o que ele atendeu prontamente. Lá ficamos mais algumas horas escutando várias histórias hilárias, tristes e inspiradoras...

Conversas de quando roubava e viu seu amigo ser morto, das três coisas que paravam no ar, de nunca ter aprendido a jogar bola porque tinha que fazer gols, da vivência na seleção de 1970, de quando jogava no Inter e saía para o centro vestido de azul para ganhar roupas como presentes dos colorados, entre tantas outras histórias.

 Uma cômica entre tantas outras, foi quando em um jogo do primeiro turno no Pernambucano, ele foi muito mal. Próximo ao jogo do segundo turno o zagueiro que o marcou falou que o Dadá não conseguia jogar com a marcação dele, além de alguns insultos contra o Dadá. Ao escutar isso Dadá largou mais uma frase sua “se no próximo jogo, eu não fizer cinco gols vou colocar calcinha e desfilar”. Logo depois se arrependeu do dito e no dia do jogo, entrando em campo, a torcida adversária jogava calcinhas nele. Segundo ele, foi um dos jogos mais tensos da vida, até porque a bola não entrava, mas depois que fez o primeiro gol os outros vieram finalizando 10 gols seus na partida e sua pele foi salva.

Sem dúvidas uma pessoa autêntica, que fala bastante e vive o que fala. Certamente uma pessoa que agrega muito para o fenômeno cultural “Futebol Brasileiro” e sem dúvida uma grande experiência de vida para mim.

Ah, e sobre o jogo contra o Guarani-SP, empatamos no jogo e vencemos nos pênaltis. Vendo a reprise na Sport TV, pude assistir a concentração das duas esquipes antes das penalidades, a outra equipe falando que pênaltis eram loteria e na nossa, eu falando da preparação que tivemos e o treinamento dos pênaltis. Acredito termos ganho pelo nosso trabalho, mas não descarto as bênçãos do Dadá Maravilha!

Abraços! 

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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