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Coluna Futebol e Saúde: "A teoria de 10.000 horas de treinamento faz ou não faz diferença?"


Existe uma Teoria bem divulgada que relata a necessidade de dez mil horas práticas de esforço em média para se tornar um Expert  em algum campo restrito do conhecimento, é algo que gera muitas discussões sobre o assunto. Mas o ponto determinante para mim é de que forma está prática é realizada para o sucesso. Não quer dizer que alguém viva exclusivamente para essa realização, seria uma pessoa com poucas experiências de vida em outras áreas.

Vamos analisar primeiro a capacidade de alguém a cima da média de inteligência em relação ao QI (coeficiente de inteligência, avaliação que quantifica a capacidade intelectual de uma pessoa), com alguém considerado de uma inteligência mediana. Já vi grandes prodígios, crianças que desde novas conseguem fazer coisas extraordinárias até mesmo para adultos. Crianças pianistas, com facilidades de aprender matérias complexas, várias línguas, etc. 

Certamente apresentam um alto QI, mas muitas dessas em idades adultas não estarão em níveis tão acima de outros que realizam as mesmas atividades. Uma criança que surpreendia tocando piano com pouca idade, não necessariamente se tornará um fantástico pianista em idade adulta, muitas foram superadas por pianistas de QI inferiores a elas com o passar dos anos.

 Isso demonstra que uma boa prática pode sim superar uma “inteligência Maior” se esta não praticar melhor. O QI é um fator determinante no início, mas não no final, ou seja, o mais inteligente tem chances de aprender mais e mais rápido. Mas poderá ser superado por alguém que treina mais e melhor. E isso vale para qualquer tipo de atividade ou capacidade individual.

Uma criança que entra numa escolinha de futebol desde cedo será então um grande jogador no futuro? Não necessariamente, porque a forma destes estímulos (treinamento) e a forma com que a criança recebe eles, das capacidades físico-intelectuais para a realização das atividades, além de aspectos culturais e estímulos positivos também serão importantes para potencializar esse processo ou não.

Vamos pensar, duas crianças praticantes de futebol numa escolinha do interior (limitada estruturalmente), de potenciais muito semelhantes e justamente uma delas num jogo contra uma grande equipe  chama mais a atenção que o outro(podendo até não ser o melhor entre eles)e é levada para participar desta equipe. Nas condições normais, em poucos anos, este que foi para a equipe maior estará num melhor nível do que o que ficou.

Resumidamente uma criança numa escolinha do interior não terá a mesma estrutura que em uma grande equipe, treinará provavelmente menos vezes na semana, não terá o mesmo suporte estrutural (nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, médico,...),  disputara menos jogos no ano no geral e também poucos jogos contra  adversários mais qualificados e times grandes nesse contexto (a competição também forma).

Talvez essa equipe do interior faça 20 jogos no ano e 2ou 3 contra grandes equipes, já o jogador que foi para a grande equipe, além de toda a estrutura disponível fará 70, 80 jogos e talvez 30 contra equipes de alto nível. Mesmo ambos trabalhando as 10 mil horas de treinamento provavelmente o jogador da equipe melhor estruturada estará muito mais desenvolvido. E isso se deu apenas por uma questão de oportunidade no momento certo.

Eu, como profissional de futebol e de treinamento desportivo tenho bem mais de 10 mil horas de trabalho, isso não quer disser que sou melhor profissional do que alguém com 5mil horas ou pior do que alguém com 20mil. Isso passa pela forma das experiências vividas e o conhecimento adquirido neste período.  Alguém que por 20 anos sempre realizou seu trabalho da mesma forma, mesmo que em situações diferentes, talvez não tenha as condições de resolver problemas de uma forma melhor do que alguém que trabalha a 5 anos, sempre se adaptando as realidades encontradas e buscando continuamente evoluir, estudando os conhecimentos específicos e aplicando na sua prática diária.

Então, concordo que dez mil horas de treinamento são eficazes para alguém se tornar um expert ou referência numa atividade, desde que tenha uma boa forma de se estimular, caso contrário pode ser alguém fazendo muito tempo a mesma coisa rotineiramente.  Assim, a qualidade do estímulo aplicado será sempre mais importante que a quantidade de estímulos inferiores.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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