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Coluna Futebol e Saúde: "Mulheres, o sexo frágil. Será? (parte 1/4)"

Foto: The Lazy Artist Gallery, pexels.com

Por se tratar de um assunto extenso, irei abordá-lo em 4 partes, buscando abranger alguns pontos importantes com informações pertinentes. Neste primeiro, abordarei o efeito da testosterona na massa muscular; no 2º tratarei das diferenças entre os sexos e anticoncepcionais; na terceira parte sobre alguns estudos que mostram os diferenciais das mulheres sobre os homens no treinamento resistivo (musculação); e finalizando, na 4ª parte abordarei alguns receios que as mulheres possuem em relação ao treinamento na academia.

Quando falamos em treinamento físico, principalmente musculação, algumas mulheres ainda acreditam que essa atividade não se adapta a elas e seus resultados não atendem suas necessidades. A ideia destes textos é quebrar tabus e mostrar os grandes benefícios que esta prática trará para as questões físicas, estéticas, de qualidade de vida e assim influenciando na parte psicológica também. 

Primeiramente, é importante deixar claro que qualquer análise deve buscar equiparar as condições para buscar resultados fidedignos. Não podemos analisar um homem ativo e uma mulher sedentária, aplicar um método de treinamento e analisar todo o resultado em torno de algo tão desproporcional. Existem diferenças significativas entre os sexos e as condições para os estudos. Agora, num estudo onde homens e mulheres possuem condições semelhantes e realizam um treino similar, os resultados trarão indicativos maiores e mais fidedignos.

Existem algumas crenças culturais sobre treinamento físico, que não se sustentam atualmente pela grande quantidade de estudos e pesquisas sobre esses assuntos. Uma delas é que mulheres ganham pouca massa muscular com o treinamento pela falta de testosterona. Acreditava-se nisso em função de considerar a testosterona a grande responsável pela massa muscular, os homens possuem esse hormônio, que em mulheres exista muito pouco. 

Ele é o hormônio importante para o ganho de massa e força muscular, e auxilia na diminuição da gordura. Está muito mais presente no corpo masculino (até 10 x mais que no feminino). Ele tem uma produção maior de forma natural com exercícios físicos (como na musculação) conforme a maior quantidade de massa muscular envolvida e treinos aeróbios de alta intensidade. Mas ele não é o único responsável pelos resultados.

Testosterona é sempre polêmica, mas em 2012 foi realizado um estudo onde se pegou um grupo de pessoas, analisaram a testosterona basal (presente no organismo) destes, que passaram por 8 semanas de treinamento. Os resultados apontaram que os indivíduos que mais ganharam massa muscular tinham níveis de testosterona semelhantes aos que ganharam pouca massa, ou seja, produzir testosterona apenas não é indicativo de hipertrofia muscular, e também que não é apenas este hormônio que é responsável pelo aumento da massa muscular. Mulheres possuem menor quantidade de testosterona, mas grandes de estrogênio que tem participação na construção de massa muscular feminina também.

Isso demonstra que a resposta desse hormônio no organismo está muito ligado à individualidade de cada pessoa. Os níveis dela responderão de forma diferente em cada indivíduo e como o organismo responde positivamente ou negativamente à esses níveis.

Estamos falando sobre testosterona natural, produzida no organismo. Os hormônios sintéticos produzem outros efeitos e muitos colaterais. Por isso, mesmo com indicação médica para outros fins que não sejam o indicado podem trazer malefícios.

Ela é fundamental na construção corporal como já citado, mas ela deve estar equilibrada no organismo (como todos os hormônios). É fato que bons níveis são importantes e é importante trabalhar para aumentá-los, mas também que outros aspectos influenciam bastante no processo. O que não podemos fazer é acreditar que essas “limitações” são impeditivas de grandes resultados para mulheres com um trabalho bem planejado.

Abraço!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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