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Coluna Futebol e Saúde: "Mulheres, o sexo frágil. Será? (parte 3/4)"

Foto: Ketut Subiyanto, pexels.com

Nas colunas anteriores, abordei aspectos como testosterona e diferenças entre homens e mulheres. Nesta semana o objetivo é mostrar porque as mulheres estão longe de ser o sexo frágil.

Vamos começar com um estudo (O`Hagan, 1995) onde mulheres e homens fizeram o mesmo treinamento de volume alto. Ambos ganharam a mesma massa muscular, porém as mulheres ganharam muito mais força muscular. Segundo o estudo, foi possível aumentar o volume do treino das mulheres e isso resultou num ganho de massa muscular maior.

Nesse treinamento os homens atingiram o platô (eles não conseguiam aumentar as cargas e repetições), enquanto que as mulheres demoravam mais tempo para atingir este platô. Isso é um grande indicativo de que mulheres suportam volumes maiores de treino.

Outro estudo (Maughan, 1986) onde foi realizado um teste de RM (repetições máximas) com homens e mulheres e depois colocaram cargas de 90%, 80%, 70%, 60% de 1 RM (repetição máxima- peso que permite o individuo realizar apenas 1 repetição completa) e pediram para eles realizarem o máximo de repetições que conseguissem.  Vamos pegar 70% enquanto que os homens fizeram em média 12 repetições máximas as mulheres realizaram 17 repetições. Demostra que mulheres toleram mais volume e conseguem fazer mais repetições.

Importante falar que essas análises utilizam cargas relativas, ou seja, é a mesma exigência para cada pessoa, apesar de cargas diferentes. Um homem no teste de RM pode fazer o exercício com 50 quilos, enquanto que a mulher com 30 quilos, mas o efeito desta carga no organismo será semelhante, e com essas cargas semelhantes à mulher suporta um volume maior.

Vamos para outro estudo (Fuko, 1999). Nele buscou-se avaliar a resistência e força muscular entre mulheres e homens. Eles faziam um exercício com 100% da carga e depois de 1 minuto, ambos tiveram uma queda, mas a dos homens foi bem maior (20% menor). Elas diminuíram a força numa magnitude menor que os homens, o exercício delas durou o dobro do tempo e com 1 minuto após o término do teste elas já estavam mais fortes que eles, e depois de 3 minutos, ambos estavam no mesmo patamar de recuperação, porém as mulheres atingiram no minuto 1, dois minutos antes dos homens.

Essas constatações dos estudos estão associadas às diferenças biológicas e fisiológicas entre as mulheres e homens e comprovam que elas suportam volumes maiores (treinos mais longos), conseguem mais repetições com cargas relativas, recuperam-se melhor entre as cargas. Podemos concluir com isso que as mulheres conseguem treinar com mais frequência do que os homens, pois sentem menos fadiga ao treinar.

Os resultados na musculação dependem de alguns fatores, quanto melhor os resultados desses fatores melhores os resultados finais, mas estes também estão muito vinculados ao volume total de treino. Treinar mais e com qualidade trará mais volume e resultados melhores.

Apesar das informações ainda podemos ter mulheres que não acreditam nisso, pois treinam e parece que os resultados não aparecem como gostariam. O que pode estar acontecendo é que, como dito, mulheres possuem mais gordura corporal e a musculatura que esta sendo desenvolvida esta abaixo da camada adiposa. Os resultados irão aparecer menores mesmo sendo iguais ou melhores de que alguém com menos gordura, mas procure analisar se a qualidade de vida, a força, atividades cotidianas não ficaram facilitadas.

Imaginem que em sua garagem tem um carro que você cobre com uma capa veicular. As pessoas saberão que ali tem um carro, mas se é um mais popular, de luxo ou importado ficará difícil de identificar, mas tirando a capa fica nítido e sem dúvidas.  Uma quantidade maior de gordura servirá como essa capa e o carro é o músculo. Quanto mais treinar mais valioso será o seu carro e mesmo tendo uma capa superficial não afetará o valor do seu veículo, assim como ter um pouco mais de gordura não apagará a evolução muscular.

Abraço!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

 

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