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Coluna Futebol e Saúde: "A importância da recuperação na especificidade do esporte competitivo."


O treinamento desportivo está num processo evolutivo constante, as formas de treinamento que antes eram referencias deixaram de ser e muitos fatores fazem com que se busque cada vez mais treinar conforme a especificidade do esporte em questão.

O princípio da especificidade prega que os estímulos do treinamento sejam planejados  para atingir os requisitos da performance desportiva e do esporte em questão. O treinamento  então é elaborado para reproduzir situações que serão encontradas nas disputas das partidas esportivas.

No treinamento quanto mais o profissional buscar o conhecimento de métodos e procedimentos para elaborar seu planejamento de treino maior as chances de resultado, não existe uma única forma paro o sucesso. Quanto mais esses métodos tiverem nos treinos as mesmas exigências que se buscam nos jogos mais específicos eles serão. 

Mas não quer dizer que não podemos utilizar algo menos específico para potencializar a especificidade do esporte, o processo de treinamento além de específico é fundamental que seja equilibrado, para atender todas as necessidades, muitos treinos menos específicos podem potencializar as respostas para realizar treinos específicos com mais qualidade (ex: a musculação melhora a estrutura do atleta para suportar a intensidade do jogo).

Agora complicou, mas vamos pensar que a equipe em questão tem uma forma muito definida de jogar e repete esta forma em todos os treinamentos, essa repetição sistemática pode sobrecarregar o organismo dos atletas fazendo com que diminua o rendimento e aumente a possibilidade de lesão. Entrando num estado chamado de sobretreinamento (onde o corpo do atleta atinge um platô, chega ao máximo e após isso perde condição física).

Ele precisará recuperar as condições orgânicas, reestabelecer as energias e chegar a níveis que possa novamente receber as cargas de treinamento e que estas gerem efeitos positivos com a evolução do quadro físico do atleta (coisa que não estava ocorrendo), mas não é de um dia para outro que se consegue.

Anos atrás era até comum ver treinadores trabalhando  toda a semana o mesmo tipo de treino, o treinamento coletivo, onde duas equipes treinavam semelhante a partida, uns levavam o treino mais fracionado e outros treinadores deixavam correr como no jogo.

O resultado era uma equipe que produzia abaixo do esperado por exigir do organismo dos atletas sempre as mesmas ações e exigências energéticas o que dificultava a recuperação entre treinos e uma melhor condição nos jogos e pouca intensidade.

Primeiro sobre esse tipo de treino que hoje é bem discriminado, mas tudo depende de como ele é aplicado no processo da construção de uma forma de jogo e adaptado às outras formas de treinar da equipe. Já trabalhei com profissionais que não usavam ou usavam muito pouco e o trabalho fluía muito bem, como também com outros profissionais que utilizavam com mais frequência e com muito boa resposta também, até porque o treino é uma ferramenta e vai de como se utiliza ela no contexto.

Muitos dirão que é por isso que esse tipo de treino está em desuso, mas vamos pensar um pouco. Temos uma equipe onde à intensidade, pressão, exigência muscular é a tônica do trabalho e se utiliza delas em todos as sessões de  treinamentos, não teria o mesmo resultado dos treinos coletivos apesar de utilizar outros métodos? 

O problema não está no método (se é mais ou menos específico), mas na repetição de uma forma de trabalho em detrimento de outras, fazendo com que não se tenha um equilíbrio entre os aspectos trabalhados e não possibilitando uma recuperação dos atletas, pois treino após treino recebem cargas de trabalhos semelhantes e assim dificultando a recuperação durante os treinos e nos jogos, ocasionando queda de rendimento e lesões.

Por mais específico que seja o trabalho ele pode não ser equilibrado e cabe aos profissionais buscar um equilíbrio entre cargas para facilitar a recuperação. Muitas vezes se torna importante  inserir treinos que quebrem essa rotina de exigir sempre as mesmas valências dos atletas, possibilitando uma boa recuperação orgânica para que nos jogos eles possam estar treinados e recuperados, e não existe nada mais específico que isso no esporte profissional.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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