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Coluna Futebol e Saúde: "Amplitude de movimento na musculação."


Quando falamos de treinamento na musculação muitos relacionam e dão uma dimensão maior para a carga de treino, ou seja, os pesos utilizados nos exercícios. Mas existem outras variáveis importantes para uma boa execução dos exercícios, e uma geralmente desprezada é a amplitude muscular.

Ela está relacionada com a angulação ou grau de movimento realizado pelo músculo durante o exercício. Quanto maior a amplitude na realização do exercício maior será o trabalho das articulações envolvidas e maior será a exigência muscular, pois estará por mais tempo sofrendo ação da carga, além de estimular o músculo em toda sua potencialidade.

Por muito tempo acreditava-se que a musculação gerava um encurtamento muscular, fato que não se comprova, o que pode gerar um encurtamento é a forma trabalhada e não a atividade física em questão. O corpo adapta aos estímulos recebidos, ou seja, se na musculação o praticante trabalhar movimentos curtos (de pouca amplitude) sua musculatura se desenvolve nesta angulação trabalhada e pode ter um encurtamento em função disso.

Agora se a musculatura for trabalhada em amplitudes maiores irá elevar a flexibilidade muscular. É muito comum em partidas de futebol ver jogadores realizarem alongamentos e muitas vezes em duplas, quando um jogador auxilia o outro a realizar um alongamento muscular ele está gerando uma carga maior na extensão do músculo e assim exigindo uma maior flexibilidade pela carga adicional.

Quando realizamos um exercício na musculação, realizando com boa amplitude o peso faz o papel do jogador, gerando uma sobrecarga no músculo estendido e assim exigindo uma flexibilidade maior da musculatura. Então é fácil constatar que uma atividade onde se trabalha um alongamento muscular com sobrecarga não pode gerar um encurtamento dessa musculatura trabalhada.

E como a amplitude interfere positivamente nos resultados?  Quando realizo um exercício na musculação gero uma sobrecarga muscular na execução, se realizo um exercício mais amplo estarei por mais tempo gerando esta sobrecarga e estimularei a musculatura em sua totalidade, um tempo maior com essa sobrecarga gera um volume maior de tensão no exercício e quanto maior volume melhor é o resultado. O mesmo exercício (ex: bíceps 3x 8 repetições) realizado com amplitudes diferentes, a de maior amplitude trará um melhor resultado pelo maior tempo de tensão muscular.

Quando, na realização de um exercício coloca-se uma carga maior que o aluno consegue executar ocorre uma perda de qualidade na execução, prejudica a amplitude, diminui o tempo de tensão na musculatura e afeta também a forma da contração muscular, aumenta o risco de lesão entre outros. Quero deixar claro que o aumento de cargas é importante e fundamental para a evolução do praticante, mas questiono quando isso prejudica a qualidade de execução do exercício.

Um trabalho com qualidade para ser efetivo nos resultados precisa levar todos os fatores que os potencializam, muitas vezes a qualidade e a maior efetividade estão relacionadas aos fatores que são atrapalhados quando se coloca uma carga excessiva, causando uma má execução. A constância e a aderência ao treinamento gerarão um bom volume de treino e isso trás resultados. Agora, trabalhando com qualidade na execução e uma boa amplitude os resultados serão potencializados até mesmo com cargas menores. Pensando apenas na carga, além de demorar um pouco mais os resultados ainda aumentam as chances de lesão.

O praticante de musculação que dá uma importância apenas para a carga de treino e desconsidera os outros fatores fundamentais envolvidos para um melhor resultado, poderá perder muito dos efeitos desejados com os estímulos do treinamento.

Quando isso ocorre por desinformação, cabe ao profissional responsável desenvolver essa consciência para que nas progressões de treino, nas mudanças nos métodos e nos aumentos de carga, o aluno consiga um melhor aproveitamento das suas sessões de treino.

Abraço!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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