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Coluna Futebol e Saúde: "Atividade Física e a terceira idade."


Foto: Yan Krukov - pexels.com

Na época de faculdade participei de um curso de Arbitragem de Atletismo e trabalhei em alguns eventos, um dos grandes que participei foi de um Campeonato Brasileiro de Atletismo Veterano, em São Leopoldo.  Na época foi um choque muito positivo ver o potencial competitivo e capacidade física destes jovens veteranos sendo que alguns com mais de 90 anos.

Desse tempo para cá se vão quase 20 anos e sabemos que a saúde e qualidade de vida destas faixas etárias mais experientes melhoraram, e a atividade física entra como instrumento importante neste crescimento.

Antigamente, pelo pouco estudo e pesquisas científicas acreditavam que muitos exercícios que hoje são indicados para essas faixas etárias eram prejudiciais, pregava-se a realização de exercícios leves e de baixo impacto.

Vamos primeiro falar um pouco do envelhecimento e do processo natural resultante dele. Ao nascermos já começamos o processo de envelhecimento e que se acelera após os 40 anos, onde por décadas temos um perda de massa muscular considerável (8% por década, e esse número pode evoluir).

Então, uma pessoa saudável com uma vida ativa normal começa a passar por esse processo a partir dos 35 anos, mas vamos pensar um pouco, qual a porcentagem de pessoas que na atual vida cotidiana pode ser considerado com uma vida ativa normal?

Certamente a grande parte da população que não se enquadra nessa vida ativa, então já chega com percentual de massa muscular menor antes de começarem à realmente perder pelo processo de envelhecimento.

Mas estudos científicos indicam um bom caminho para solucionar esse problema que é a prática de atividade física aliada a uma alimentação mais saudável. Hoje se sabe que atividades como a musculação possibilitam ganhos de massa, massa óssea e força muscular até mesmo em idosos acima de 80 anos. 

Um estudo de 2017 (Bechshoft et Al.) utilizou um grupo de idosos entre 83 e 94 anos( média de 86 anos), dividiu-os em 2 sendo um de controle (que não participou de treinamentos) e o outro grupo que treinou 3x por semana com carga de 70% de 1 RM( carga onde a pessoa consegue fazer apenas 1 repetição no exercício) por 12 semanas.

Os resultados demonstraram que, enquanto o grupo de controle teve uma diminuição de massa muscular (-2,1%) e de força (-7%), o grupo que realizou o treinamento de força teve ganhos de massa muscular (+3,4%) e de força (+15%). Ou seja, é possível conseguir grandes ganhos de massa muscular e força mesmo em faixas etárias elevadas.

Então, se começando nestas idades já temos esses resultados imagine começando antes a prática, podemos combater esse efeito do envelhecimento com alguma facilidade desde que tenhamos a prática da atividade física como a musculação como um hábito de vida e esses  benefícios afetaram a qualidade de vida futura de uma forma decisiva. Um grande problema é que o sedentarismo vai gerando problemas durante a vida e estes podem ser limitantes em algumas atividades para  idades mais avançadas, mesmo assim a atividade física entra como uma forma de melhorar esses problemas, mas as limitações geradas podem interferir nas atividades e seus resultados ( um treino para idoso cardíaco é diferente do que um para idoso sem esse problema). 

Quantos casos de pessoas idosas que após uma queda tiveram grandes problemas de saúde e em alguns casos levando indiretamente ao óbito.  A pessoa idosa que perdeu muita massa muscular e força não possui a mesma estrutura física para se proteger de uma queda e essa pode ter uma gravidade muito maior. Além de uma fratura poder gerar uma inatividade que fará acelerar a perda de massa muscular e de força, debilitando mais ainda o organismo.

Massa muscular (músculos) e massa óssea (ossos), são responsáveis pela qualidade de vida orgânica e estrutural e melhoram com atividades resistivas, quanto melhores seus níveis mais independência e autonomia a pessoa terá, é uma coisa que precisa ser pensada cedo para que ele possa aproveitar sua vida e seus muitos anos pela frente com saúde e qualidade.

Abraço!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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