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Coluna Futebol e Saúde: "Panturrilhas e suas dificuldades para hipertrofiar."

Foto: Maksim Goncharenok - pexels.com

Hoje o objetivo é falar de uma forma bem simplificada de uma musculatura que é a dor de cabeça para muitos praticantes de musculação.  As panturrilhas (formada pelos músculos sóleo e gastrocnêmio), que para muitos é um terror na busca de sua hipertrofia, e realmente existem algumas características importantes e particulares para que isso ocorra.

Primeiramente vamos ver o porquê destas limitações, o quê estudos científicos podem trazer de informações. Basicamente podemos falar de três aspectos que impedem um desenvolvimento melhor das panturrilhas.

O primeiro aspecto  que pode dificultar essa hipertrofia é sobre receptores androgênicos. Nosso organismo possui hormônios androgênicos (entre eles a testosterona) que tem importante função no metabolismo, na sensibilidade à insulina e na composição corporal. Por isso são hormônios que influenciam na hipertrofia muscular.

Esses hormônios (mesmo que em grande quantidade no organismo) não atuarão nos músculos da mesma forma. Isso porque existem músculos que possuem mais receptores androgênicos e outros com menos. Vamos pensar que os hormônios estão disponíveis, porém, quanto mais desses receptores no músculo maior será a captação desse hormônio por ele, então, maior quantidade de receptores maior será o resultado hormonal e vice-versa. Por esse motivo que o músculo do trapézio (muitos receptores) é facilmente hipertrofiado e as panturrilhas(menos receptores)não.

O segundo aspecto é sobre o tipo de fibras musculares, os músculos esqueléticos são formados por 2 tipos de fibras musculares, conforme suas funções, as fibras Tipo I (oxidativas de contração lenta, vermelhas e aeróbias) e fibras Tipo II, estas divididas em Tipo IIB (oxidativas glicolíticas) e as Tipo IIA (brancas e anaeróbicas).  Não irei aprofundar sobre elas, mas é importante saber que os dois músculos que constituem as panturrilhas são em sua maioria de fibras Tipo I (gastrocnêmio 63-76% tipo I e sóleo 80-96% Tipo I). São fibras oxidativas e apresentam por isso uma maior dificuldade de hipertrofia pelas suas características.

O terceiro aspecto é a falta de treino. Sobre os dois aspectos citados anteriormente, temos pouca influencia, pois são características morfológicas e genéticas, porém a terceira é a que podemos atuar com o treinamento. O volume de treino é um dos responsáveis pela hipertrofia, o que geralmente ocorre é que se realizam muito mais exercícios para outros grupos musculares do que para as panturrilhas.  Homens geralmente  realizam muito mais exercícios para peitorais e mulheres para glúteos. Assim mesmo fazendo a mesma quantidade de repetições no somatório semanal o volume trabalhado das panturrilhas acaba sendo bem inferior que para outros grupos. 

Fora estes 3 aspectos existe ainda a necessidade de um cuidado maior na realização dos exercícios para panturrilha, os dois músculos (sóleo e gastrocnêmio) são  ligados ao calcanhar pelo tendão de aquiles (tendão mais forte do corpo), sua estrutura é de um tecido fibroso e quando a execução dos exercícios para panturrilha é realizado com muita velocidade, o tendão estende mais que as musculaturas desejadas e ai o estímulo perde muito de sua função. Com velocidade de execução moderada e uma boa amplitude, estende-se o tendão e o músculo gerando um melhor estímulo para ele neste exercício, assim sendo mais efetivo.

Fica claro então que existem fatos sobre a panturrilha que teremos pouca influencia na busca de um melhor resultado, não vamos conseguir alterar significativamente a configuração das fibras e os receptores, mas através de um bom planejamento de treino e cuidando para uma boa execução e progressão de treino, vamos melhorar significativamente os resultados pretendidos com o treinamento das panturrilhas.

Abraço!!!!

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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