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Coluna Futebol e Saúde: "Projeto verão e destreinamento."

Fotos: Kampus Production, pexels.com

Muitas pessoas, ao chegar próximo ao verão buscam nas academias as soluções de um ano todo desregrado (sedentário e com hábitos alimentares deficientes), após passar esse período (onde atingiram os objetivos ou tiveram melhoras consideráveis na saúde) voltam aos velhos hábitos.

E os praticantes de musculação que se afastam entram num período de destreinamento que podemos definir como a perda completa ou parcial das adaptações induzidas pelo treinamento, em resposta a um estímulo insuficiente. Como o treinamento resulta em  adaptações positivas ao organismo, a falta dele tende a reverter estas tão benéficas adaptações.

A redução ou interrupção total das atividades físicas causam rápido declínio dos marcadores fisiológicos, alguns destes tendo grande queda em poucos dias, isso afetam outros marcadores e quanto maior a inatividade mais significativa serão essas desadaptações(perda das adaptações do exercício). Assim quanto mais ficar parado mais vai perder os ganhos desse período.

Ai entra uma coisa muito importante, quanto mais a pessoa passou por um treinamento, maiores e mais importantes serão as perdas no início do período, mas esses índices dificilmente chegarão aos níveis de pessoas sedentárias. Isso se refere ao termo “memória muscular”, ou seja, por mais que perdeu condição física e atlética, essa pessoa treinada conseguirá elevar essas condições muito mais rápido que uma pessoa sedentária.

Agora, se uma pessoa sedentária começa a praticar atividades físicas por pouco tempo (famoso projeto verão) e depois voltam ao sedentarismo provavelmente voltarão aos níveis semelhantes aos de antes do começo do treinamento. Isso está ligado ao tempo em que essa pessoa treinou (quanto menos tempo treinando, menos adaptações ao treinamento desenvolveu) e no tempo de inatividade onde ocorrem as perdas da condição física conquistada.

Uma coisa preocupante é que as pesquisas apontam que o retreinamento(voltar a treinar)  acaba sendo mais lento do que o destreinamento (parar de treinar), ou seja, as perdas com a inatividade são mais rápidas do que os ganhos conseguidos quando se volta a treinar.

Isso mostra porque atletas profissionais que treinam a bastante tempo e após alguma lesão grave perdem toda condição física conquistada e precisam passar por todo o processo de preparação para voltar em alto nível.

Jogadores amadores que sofreram lesões musculares e que começaram um trabalho de reforço na academia elevando os níveis musculares e de força, mas que se afastam do treinamento resistivo possivelmente terão lesões recorrentes com o passar do tempo. Quando uma pessoa apenas joga pode ter desequilíbrios musculares que resultarão em lesões e parar de reforçar e equilibrar irá aflorar novamente estes desequilíbrios, facilitando as lesões.

Acompanho muitos casos de problemas principalmente na coluna e que começam a treinar com muitas limitações, mas com o trabalho melhoram e passam a ter uma vida normal, porém nestes casos sempre serão necessários cuidados posturais para preservar esta melhora. Alguns casos, alunos após as melhoras param com o programa e acabam voltando posteriormente em condições piores do que antes, acredito que pelo fato de pensarem que a melhora é permanente, mas se não for trabalhando vai acabar perdendo esta condição.

O destreinamento é muito agressivo e as conquistas do treinamento não são permanentes, então o mais importante é seguir treinando, adaptando, mudando caso necessário, mas não parar. Treinar deve ser um hábito e não apenas um projeto de alguns meses ,o importante é ter o treino como parte de sua rotina e mesmo com períodos curtos de inatividade não afetarão significativamente os ganhos conquistados quando se tem constância.

Abraço!!!! 

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do FUT.SC

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